Ser mãe é uma jornada de amor incondicional, mas também de muitas dúvidas e preocupações, especialmente quando os pequenos não estão bem.
Cólica, refluxo e diarreia são condições comuns na infância que podem deixar qualquer mãe de cabelo em pé.
Entender o que são, como identificar seus sinais, quando se preocupar e como agir é fundamental para garantir o conforto e a saúde do seu bebê ou criança.
Neste guia completo, vou desmistificar essas condições, oferecendo informações claras e práticas para que você se sinta mais segura e preparada.
Lembre-se: a informação é sua maior aliada, mas o acompanhamento do pediatra é insubstituível!
Quem é a Dra. Renata?
A Dra. Renata é Pediatra, especialista em saúde infantil, e está pronta para iniciar todos os cuidados com o seu filho, do nascer até o final da vida de adolescente, quando ele estiver crescendo e quase tornando-se um adulto.

Realizou sua formação como médica na Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná, localizada em Curitiba e após 6 anos de estudo, iniciou por mais 3 anos na pós-graduação em Pediatria no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, o qual atende uma demanda muito grande da população pediátrica de Curitiba e toda região metropolitana, recebendo pacientes de todo o estado e também do Brasil. Esse foi o lugar onde aprendeu tudo sobre Pediatria e de onde veio toda sua experiência com o público infantil.
Durante a formação, a Dra. Renata participou de curso de amamentação, curso de emergência em pediatria e curso de reanimação neonatal, mas também esteve em congressos nacionais de Pediatria, sempre mantendo-se atualizada com as informações baseadas na ciência.
Desde que terminou a pós-graduação, foi titulada Pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e esta apta a cuidar do seu filho, com um olhar humano, individualizado e com todo zelo que uma criança merece junto a sua família.

O que as pessoas estão falando da Dra. Renata:





Cólica em Bebês: O Choro Inconsolável que Tira o Sono dos Pais
O que é Cólica?
A cólica do lactente é um fenômeno comum e benigno, caracterizado por episódios de choro intenso e inconsolável em bebês saudáveis, geralmente entre 2 semanas e 5 meses de idade.
Não é uma doença, mas sim um conjunto de comportamentos que, embora angustiantes para os pais, não indicam que algo grave está acontecendo com o bebê.
A causa exata ainda é desconhecida, mas fatores como imaturidade do sistema digestivo, gases, sensibilidade a certos alimentos na dieta da mãe (se amamentando) ou do bebê, e até mesmo o temperamento do bebê podem contribuir.
Como Reconhecer os Sinais
A cólica é classicamente definida pela “Regra dos Três“:
- choro que dura mais de três horas por dia;
- por mais de três dias por semana;
Além do choro, observe:
- Choro súbito e intenso:Geralmente começa no final da tarde ou à noite, sem motivo aparente.
- Postura corporal: O bebê pode encolher as pernas em direção à barriga, arquear as costas, cerrar os punhos e ficar com o rosto avermelhado.
- Agitação: Movimentos de braços e pernas, como se estivesse com dor.
- Gases: Pode haver eliminação de gases durante ou após as crises de choro.
- Inconsolável:O choro é difícil de acalmar, mesmo com as tentativas dos pais.

Sinais de Gravidade: Quando se Preocupar Além do Choro?
Embora a cólica seja benigna, é importante estar atenta a outros sinais que podem indicar algo mais sério. Procure o pediatra se, além do choro, o bebê apresentar:
- Febre.
- Vômitos frequentes ou em jato.
- Diarréia ou sangue nas fezes.
- Recusa alimentar ou dificuldade para mamar.
- Perda de peso ou dificuldade para ganhar peso.
- Sonolência excessiva ou letargia.
- Pele amarelada (icterícia).
- Choro acompanhado de outros sintomas incomuns.
Tratamento e Alívio
Não há uma “cura” para a cólica, mas sim medidas para aliviar o desconforto do bebê e dos pais:
- Contato Pele a Pele: O calor e o contato com a mãe ou pai podem ser muito reconfortantes.
- Massagens na Barriga: Movimentos suaves e circulares no sentido horário podem ajudar a liberar gases.
- Posições:Tentar diferentes posições, como o bebê de bruços sobre o antebraço do adulto (com a cabeça apoiada na mão) ou com as pernas flexionadas sobre a barriga.
- Ambiente Calmo: Reduzir estímulos, diminuir as luzes, ruídos e oferecer um ambiente tranquilo.
- Movimento Rítmico: Balançar o bebê suavemente, passear de carro ou usar um sling.
- Banhos Morno: A água morna pode relaxar o bebê.
- Fazer Arrotar: Certifique-se de que o bebê arrote bem após as mamadas para evitar o acúmulo de gases.
- Dieta da Mãe (se amamentando):Em alguns casos, o pediatra pode sugerir que a mãe evite alimentos como laticínios, cafeína ou alimentos muito condimentados, mas isso deve ser feito sob orientação médica.

Como o Pediatra Pode Ajudar?
O pediatra é fundamental para:
- Diagnóstico Diferencial: Confirmar que é cólica e descartar outras condições médicas que possam causar choro excessivo.
- Orientações Personalizadas: Aconselhar sobre técnicas de alívio, dieta da mãe e do bebê.
- Apoio Emocional: Oferecer suporte aos pais, que muitas vezes se sentem exaustos e impotentes diante do choro do bebê.
- Prescrição de Medicamentos: Em casos específicos, pode indicar o probiótico, mas sempre com cautela e avaliação individual.
Refluxo em Bebês: Golfadas e Desconforto
O que é Refluxo?
O refluxo gastroesofágico (RGE) é o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago, boca e/ou nariz involuntariamente.
Em bebês, é um fenômeno muito comum e, na maioria das vezes, fisiológico (normal), devido à imaturidade do esfíncter esofágico inferior (a válvula que impede o retorno do alimento do estômago para o esôfago), que ocorre várias vezes ao dia, após as refeições.
Isso se manifesta como as famosas “golfadas” ou regurgitações. O refluxo fisiológico geralmente não causa dor, não afeta o ganho de peso, raramente inicia antes da primeira semana de vida ou após os seis meses, e tende a desaparecer espontaneamente do primeiro ao segundo ano de vida.
Assim, a evolução do RGE fisiológico é benigna e autolimitada, não sendo necessários exames diagnósticos, nem o uso de medicamentos.
De acordo com os critérios de Roma IV, regurgitação do lactente saudável de três a 12 meses de idade deve incluir:
• Duas ou mais regurgitações ao dia por pelo menos três semanas.
• Ausência de náuseas, dificuldade na alimentação ou deglutição, posturas anômalas, hematêmese(vômito com sangue), apneia ou aspiração, atraso no desenvolvimento ponderoestatural.
Regurgitações ocorrem em 50% dos lactentes antes dos dois meses e em 60% a 70% aos três ou quatro meses, para diminuir e chegar a 5% por volta de um ano de idade.
No entanto, quando o refluxo causa sintomas incômodos, complicações ou afeta o bem-estar do bebê, ele é chamado de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Esta é a condição que requer mais atenção e, por vezes, tratamento.

Como Reconhecer os Sinais?
Sinais de Refluxo Fisiológico (Normal):
- Golfadas frequentes: O bebê regurgita pequenas quantidades de leite após as mamadas, sem dor ou desconforto aparente.
- Bom ganho de peso: O bebê continua crescendo e ganhando peso normalmente.
- Comportamento feliz:O bebê está geralmente contente e ativo, apesar das golfadas.
Sinais de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE – Quando se preocupar):
- Irritabilidade e choro excessivo: Especialmente durante ou após as mamadas, ou quando deitado.
- Recusa alimentar: O bebê pode associar a alimentação à dor e começar a recusar o peito ou a mamadeira.
- Dificuldade para ganhar peso ou perda de peso:Um sinal de que o refluxo está interferindo na nutrição.
- Vômitos em jato: Mais intensos e frequentes que as golfadas normais.
- Tosse crônica, chiado ou engasgos frequentes: O conteúdo do estômago pode irritar as vias aéreas.
- Arqueamento das costas: O bebê pode arquear as costas durante ou após as mamadas, em uma tentativa de aliviar o desconforto.
- Dificuldade para dormir: O desconforto pode piorar quando o bebê está deitado.
Sinais de Gravidade
Procure atendimento médico de emergência se o bebê apresentar:
- Vômitos com sangue ou bile (verde).
- Dificuldade respiratória grave ou engasgos que causam cianose (lábios azulados).
- Recusa alimentar persistente levando à desidratação ou perda de peso significativa.
- Choro intenso e inconsolável acompanhado de sinais de dor severa.
Tratamento e Manejo
O tratamento depende da gravidade do refluxo. Para o refluxo fisiológico, medidas simples geralmente são suficientes:
- Medidas Posturais:
- Manter o bebê em posição vertical por 20-30 minutos após as mamadas.
- Posição supina para dormir ( barriga para cima)
- Não usar roupas apertadas.
- Sugerir a troca das fraldas antes das mamadas
- Evitar o tabagismo (passivo), pois a exposição ao tabaco induz o relaxamento do esfíncter esofagiano inferior, aumenta os índices de asma, pneumonia, apneia e da síndrome de morte súbita.
- Alimentação:
- Oferecer mamadas menores e mais frequentes.
- Fazer o bebê arrotar várias vezes durante e após a mamada.
- Para bebês alimentados com fórmula, o pediatra pode sugerir fórmulas anti-refluxo (AR) ou espessar o leite com amido de arroz (sob orientação).
- Em casos de suspeita de alergia à proteína do leite de vaca (APLV), o pediatra pode recomendar uma dieta de exclusão para a mãe (se amamentando) ou uma fórmula hipoalergênica para o bebê.
- Medicações: Para a DRGE, o pediatra pode prescrever medicamentos que reduzem a produção de ácido no estômago (como inibidores da bomba de prótons) ou que aceleram o esvaziamento gástrico (procinéticos). Nunca medique seu bebê sem orientação médica.
Como o Pediatra Pode Ajudar?
O pediatra é essencial para:
- Diagnóstico: Diferenciar o refluxo fisiológico da doença do refluxo e investigar outras causas para os sintomas.
- Orientação:Aconselhar sobre as melhores medidas de manejo e tratamento, personalizadas para o seu bebê.
- Acompanhamento: Monitorar o ganho de peso, o desenvolvimento e a resposta ao tratamento.
- Encaminhamento: Se necessário, encaminhar para um gastroenterologista pediátrico ou outros especialistas.
Diarreia em Bebês e Crianças: Como Lidar e Prevenir a Desidratação
O que é Diarreia?
A diarreia é caracterizada pelo aumento na frequência e/ou na fluidez das evacuações.
Em bebês e crianças, é um problema comum, muitas vezes causado por infecções virais (rotavírus, adenovírus), bacterianas (salmonella, E. coli) ou parasitárias.
Também pode ser desencadeada por intolerâncias alimentares, uso de antibióticos ou outras condições médicas.
A principal preocupação com a diarreia em crianças, especialmente em bebês, é o risco de desidratação.
Como Reconhecer os Sinais?
Observe as características das fezes e o comportamento da criança:
- Frequência: Mais evacuações do que o normal para a idade da criança.
- Consistência:Fezes mais líquidas ou moles que o habitual.
- Cor: Pode variar, mas fezes muito claras, esverdeadas ou com muco/sangue são sinais de alerta.
- Outros sintomas: Febre, vômitos, dor abdominal, perda de apetite, irritabilidade ou prostração.

Sinais de Gravidade: Desidratação e Outros Alertas
A desidratação é a complicação mais perigosa da diarreia em crianças. Procure atendimento médico imediato se a criança apresentar:
Sinais de Desidratação:
- Boca e língua secas.
- Olhos fundos.
- Choro sem lágrimas.
- Diminuição da quantidade de urina (fraldas secas por mais de 6-8 horas em bebês).
- Moleira (fontanela) afundada em bebês.
- Pele seca e sem elasticidade (ao pinçar a pele, ela demora a voltar ao normal).
- Sonolência excessiva, letargia ou irritabilidade intensa.
Outro sinais e sintomas importantes de serem observados:
- Fezes com sangue ou pus.
- Febre alta (acima de 39°C) persistente.
- Vômitos incontroláveis ou em jato.
- Diarreia que dura mais de 24-48 horas em bebês pequenos ou mais de alguns dias em crianças maiores.
- Dor abdominal intensa.
Tratamento e Manejo
O tratamento da diarreia foca na prevenção e combate à desidratação:
- Hidratação Oral: É a medida mais importante. Ofereça soro de reidratação oral (SRO) em pequenas quantidades e frequentemente. Água, água de coco e sucos naturais diluídos também podem ser oferecidos, mas o SRO é o mais eficaz para repor eletrólitos.
- Manter a Alimentação: Continue amamentando ou oferecendo a fórmula usual. Para crianças maiores, mantenha uma dieta leve e de fácil digestão (arroz, batata, frango cozido, banana, maçã).
- Higiene: Lave as mãos da criança e dos cuidadores frequentemente, especialmente após a troca de fraldas e antes das refeições. Limpe bem a área da fralda para evitar assaduras, evitando uso de lenços umedecidos.
- Evitar: Refrigerantes, sucos industrializados, alimentos gordurosos, frituras e doces, pois podem piorar a diarreia.
- Medicações:Não use medicamentos antidiarreicos sem orientação médica, pois podem ser prejudiciais para crianças. O pediatra pode indicar probióticos ou outros tratamentos específicos, dependendo da causa.
Como o Pediatra Pode Ajudar?
O pediatra é crucial para:
- Diagnóstico da Causa: Identificar a origem da diarreia (viral, bacteriana, alimentar, etc.) para direcionar o tratamento.
- Orientação sobre Hidratação: Ensinar a forma correta de administrar o SRO e reconhecer sinais de desidratação.
- Prescrição de Tratamento Específico: Se necessário, indicar antibióticos (para diarreias bacterianas) ou outros medicamentos.
- Acompanhamento: Monitorar a evolução da criança e garantir a recuperação completa.
Quando Procurar o Pronto-Socorro: Sinais de Alerta Gerais
É fundamental que os pais saibam identificar os sinais de que a condição do bebê ou da criança pode estar se agravando e que uma visita ao pronto-socorro é indispensável. Não hesite em buscar atendimento de emergência se a criança apresentar:
- Dificuldade respiratória: Respiração muito rápida, ofegante, com esforço visível (retrações na pele entre as costelas, na base do pescoço ou batimento das asas do nariz).
- Lábios ou unhas azulados (cianose): Indica falta de oxigênio.
- Sonolência excessiva, letargia ou dificuldade para acordar.
- Irritabilidade extrema ou choro inconsolável que não melhora com as medidas habituais.
- Recusa em mamar ou beber líquidos, com sinais de desidratação (boca seca, pouca urina, olhos fundos, moleira afundada).
- Vômitos persistentes ou em jato, especialmente se contiverem sangue ou bile (verde).
- Fezes com sangue ou pus.
- Febre alta (acima de 39°C) persistente, especialmente em bebês pequenos.
- Pele pálida, fria ou pegajosa.
- Convulsões.
Conclusão
Cólica, refluxo e diarreia são desafios comuns na maternidade, mas com informação e o apoio certo, é possível manejá-los com mais tranquilidade.
Lembre-se que cada bebê e criança é único, e o que funciona para um pode não funcionar para outro.
A observação atenta dos pais é a melhor ferramenta para identificar mudanças e necessidades.
O pediatra é seu maior aliado nessa jornada. Mantenha as consultas de rotina em dia e não hesite em procurá-lo sempre que tiver dúvidas ou perceber qualquer sinal de alerta.
Com cuidado, amor e orientação profissional, você garantirá o melhor para a saúde e o desenvolvimento do seu pequeno. Conte sempre com seu pediatra para guiar você e sua família!
Referências:
- Distúrbios gastrointestinais funcionais no lactente e na criança abaixo de 4 anos: Um guia para a prática diária. Sociedade Brasileira de Pediatria. 2022
- Doença do Refluxo Gastroesofágico.Guia Prático de Orientação. Sociedade Brasileira de Pediatria. N 185, 10 de Dezembro de 2024.