O autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição neurodesenvolvimental que afeta a comunicação, o comportamento restritivo ou repetitivo e a interação social. O diagnóstico geralmente ocorre na infância, e os sinais podem variar amplamente entre as crianças.
O autismo possui gravidade e apresentação variáveis, é permanente e não tem cura, apesar disso, o diagnóstico precoce é essencial para melhora do prognóstico, amenizando os sintomas e permitindo uma melhor qualidade de vida para os seus portadores.
Na maioria dos pacientes com autismo, os sintomas são identificados entre 12 e 24 meses de idade, todavia, o diagnóstico só ocorre teoricamente, aos 4 ou 5 anos de idade.
Quem é a Dra. Renata?
A Dra. Renata é Pediatra, especialista em saúde infantil, com amplo conhecimento a respeito do autismo, e está pronta para iniciar todos os cuidados com o seu filho.

Realizou sua formação como médica na Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná, localizada em Curitiba e após 6 anos de estudo, iniciou por mais 3 anos na pós-graduação em Pediatria no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, o qual atende uma demanda muito grande da população pediátrica de Curitiba e toda região metropolitana, recebendo pacientes de todo o estado e também do Brasil. Esse foi o lugar onde aprendeu tudo sobre Pediatria e de onde veio toda sua experiência com o público infantil.
Durante a formação, a Dra. Renata participou de curso de amamentação, curso de emergência em pediatria e curso de reanimação neonatal, mas também esteve em congressos nacionais de Pediatria, sempre mantendo-se atualizada com as informações baseadas na ciência.
Desde que terminou a pós-graduação, foi titulada Pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e esta apta a cuidar do seu filho, com um olhar humano, individualizado e com todo zelo que uma criança merece junto a sua família.

O que as pessoas estão falando da Dra. Renata:





Algumas curiosidades sobre TEA:
- Estatísticas mais recentes apontam para uma prevalência em torno de 1% da população mundial de TEA, com maior prevalência no sexo masculino (4,2:1).
- O autismo é mais comum do que se pensa, estimando-se que 1 em cada 54 crianças nos Estados Unidos tenha autismo, e essa taxa está aumentando.
- Pessoas com autismo têm habilidades únicas, como memória fotográfica, habilidades matemáticas avançadas ou talento artístico.
- Sabe-se que o TEA tem uma possibilidade de herança estimada variando de 50% a 90% e que a recorrência do diagnóstico em irmãos de crianças diagnosticadas gira entre 6,1% e 18,7%.
- O autismo não é uma condição mental, mas sim uma condição neurodiversa que afeta o desenvolvimento do cérebro e não é uma condição mental.
- Entre 20% e 30% das crianças com TEA apresentam circunferência da cabeça maior que o percentil 97 (macrocefalia).
- Pessoas com autismo podem ter dificuldade em entender ironia e sarcasmo, pois elas dependem de nuances sociais e linguísticas.
- Pessoas com autismo podem ter habilidades de comunicação não verbais, como linguagem de sinais ou comunicação por meio de imagens.
- Cerca de 22% dos pacientes com TEA têm constipação intestinal.
Quais são os sinais e sintomas do TEA ?
Alguns marcadores potencialmente importantes no primeiro ano de vida incluem anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor, sensibilidade diminuída a recompensas sociais, baixo contato visual, pouca resposta ao chamado pelo nome. A partir dos 12 meses podemos observar melhor sintomas, como os descritos abaixo:
- Dificuldades de Comunicação: Algumas crianças podem não falar, enquanto outras podem ter uma linguagem avançada, mas dificuldades em manter uma conversa.
- Interação Social: Crianças com autismo podem ter dificuldades em compreender normas sociais, interpretar expressões faciais e se relacionar com outras crianças.
- Comportamentos Repetitivos: Isso pode incluir movimentos repetitivos, como balançar as mãos, ou a insistência em rotinas ou rituais.
- Interesses Restritos: Muitas crianças autistas desenvolvem interesses profundos em tópicos específicos, que podem parecer incomuns para outras crianças.

Como se realizar o diagnóstico do TEA ?
O diagnóstico do autismo é feito por profissionais de saúde especializados, como pediatras, psicólogos ou psiquiatras. Ele envolve uma avaliação abrangente do desenvolvimento da criança, incluindo observações e entrevistas com os pais.
É recomendado na literatura médica o uso de instrumentos de triagem que possam aumentar a sensibilidade do diagnóstico. Com isso, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), orienta para nós, médicos assistentes das crianças, a realizarem o método de triagem chamado chamado Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT-R/F), que está disponível na Caderneta de Saúde da Criança.
O M-CHAT-R/F é composto de 20 questões do tipo sim/não, que indicam a presença de comportamentos conhecidos como sinais de alerta para o TEA. As questões devem ser respondidas pelos pais ou cuidadores de todas as crianças entre 18 e 24 meses de idade em uma consulta de puericultura.
O gabarito do M-CHAT-R/F deve ser avaliado pelo pediatra ou profissional de saúde. O teste deve ser aplicado,independentemente de haver suspeita diagnóstica de TEA ou outros transtornos, desvios ou atrasos do desenvolvimento.
A maioria das mães (79%) buscaram ajuda há cerca de três meses do início das suas preocupações, sendo o primeiro profissional procurado o pediatra (84,2%). Isto mostra o quanto nós profissionais somos importantes no rastreio e direcionamento de desvios do desenvolvimento e comportamento, tendo um papel fundamental no prognóstico dessas crianças.
O diagnóstico envolve a realização de anamnese cuidadosa, exame físico direcionado, exames complementares selecionados, caso a caso, e ponderação de diagnósticos diferenciais e possíveis comorbidades.
Quais as causas do TEA na atualidade?
As causas do autismo não são completamente compreendidas, mas acredita-se que uma combinação de fatores genéticos e ambientais desempenhe um papel. Porém, alguns motivos que estariam por trás do aumento tão significativo de TEA nos últimos anos podem estar relacionados:
- Mudanças sociais e culturais que levam a fatores de risco para o TEA;
- Idade avançada dos pais,especialmente a idade do pai, e idade materna de 35 anos ou mais;
- Uso de alguns medicamentos como antiepilépticos e estabilizadores de humor;
- Pré-eclâmpsia;
- Hipertensão gestacional;
- Excesso de peso antes ou durante a gravidez;
- Aumento das taxas de prematuridade extrema;
- Baixo peso ao nascer e de gestações múltiplas.
- Negligência extrema nos cuidados da criança
- Outros fatores ambientais são ainda estudados, como mudança dos hábitos alimentares e aumento da poluição.
- Não há evidências que liguem vacinas ao autismo.
Tem tratamento para o TEA ?
O tratamento padrão-ouro para o TEA é a intervenção precoce, que deve ser iniciada tão logo haja suspeita ou imediatamente após o diagnóstico por uma equipe interdisciplinar.
Consiste em um conjunto de modalidades terapêuticas que visam aumentar o potencial do desenvolvimento social e de comunicação da criança, proteger o funcionamento intelectual reduzindo danos, melhorar a qualidade de vida e dirigir competências para autonomia, além de diminuir as angústias da família e os gastos com terapias sem bases de evidência científicas.
Os principais pilares são a família, a equipe de educação e a de saúde para a condução adequada das crianças com TEA com o objetivo de aprendizado e modificações comportamentais trabalhadas por equipes interdisciplinares (psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, educadores físicos).
- Terapia Comportamental: Intervenções como a Análise Comportamental Aplicada (ABA) podem ajudar crianças a desenvolver habilidades sociais e de comunicação.
- Fonoaudiologia: Pode ser útil para crianças que apresentam dificuldades de fala e linguagem.
- Terapia Ocupacional: Ajuda a melhorar habilidades motoras e a lidar com a sensibilidade sensorial.
- Apoio Educacional: Muitas crianças com autismo se beneficiam de ambientes educacionais adaptados que atendem às suas necessidades específicas.
- Intervenções dietéticas : Um aspecto bem conhecido em pacientes com TEA são alterações no hábito alimentar, sendo descritas desde aversão, seletividade até a recusa total de determinados alimentos e comportamentos obsessivos disfuncionais, além de efeitos adversos de alguns medicamentos como redução do apetite
- Tratamento medicamentoso: Para controle de sintomas associados e quando necessário, restringe-se a um pequeno grupo que manifesta comportamentos disruptivos, como: irritabilidade, impulsividade, agitação, auto e ou heteroagressividade e destrutividade. Merecem atenção também as comorbidades: ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), epilepsia e transtornos do sono.
Apoio para Famílias
O diagnóstico de autismo pode ser desafiador para as famílias. É importante que os pais procurem apoio, tanto emocional quanto prático. Grupos de apoio e recursos comunitários podem oferecer assistência valiosa.
As famílias também poderão acessar o site “www.autismo.institutopensi.org.br” nas ferramentas de apoio, que disponibiliza vários manuais para download, como: estratégias para conduzir o sono, o uso do banheiro, cuidados com os dentes, orientações para inclusão escolar e outras informações.
O autismo é um espectro, o que significa que as experiências e necessidades de cada criança são únicas. Com o diagnóstico precoce e as intervenções adequadas, muitas crianças autistas podem levar vidas plenas e satisfatórias. É fundamental promover a compreensão e a aceitação do autismo na sociedade para apoiar melhor as crianças e suas famílias.
Referências:
- Manual de orientações. Transtorno do Espectro do Autismo em Pediatria: etiologia,triagem e diagnóstico. SBP, Nº 176, 14 de Outubro de 2024.
- Manual de orientações. Transtorno do Espectro do Autismo. SBP, Nº 05, Abril de 2019 .